Araucária, 25 de dezembro de 2011

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A BNCC e as duas escolas

A Base Nacional Curricular Comum é para a escola pública. Para a escola privada, nada muda. No Brasil, onde a educação oferecida na escola pública é muito diferente da oferecida na escola privada, o conhecimento tem preço

A Base Nacional Curricular Comum é para a escola pública. Para a escola privada, nada muda. No Brasil, assim como em muitos outros países, a educação oferecida na escola pública é muito diferente da oferecida na escola privada. Nessa sociedade, o conhecimento tem preço.

Com a propaganda de se garantir um mínimo comum de conteúdos para a escola pública, o que se quer é diminuir a quantidade e a qualidade no ensino. Usam parte dos nossos salários na forma de impostos para nos convencer a ensinar menos aos alunos da escola pública, e Araucária não perderá tempo em acompanhar esse projeto.

Os professores da rede municipal de Araucária se esforçam na defesa da concepção pedagógica do município, a Pedagogia Histórico Crítica (PHC), que fundamenta as Diretrizes Municipais de Educação, construída com muitos anos de estudo e persistência dos professores. A defesa dessa concepção de mundo ocorre porque ela defende o acesso ao conhecimento por todos como um caminho viável de evolução da sociedade.

Portanto, a BNCC é contrária à Pedagogia Histórico Crítica, pois estrutura um currículo pobre e diminuído para os que não podem pagar uma escola particular, enquanto a PHC defende que todos tenham acesso ao que de mais elevado a humanidade produziu na ciência, na arte, na filosofia, na linguagem e em todas as outras áreas, como um direito fundamental.

Na BNCC para o ensino médio, por exemplo, apenas Português e Matemática permanecem obrigatórios, mas isso não vale para os que estudam na escola privada, para esses, os conteúdos são os mais numerosos e variados possíveis.

A BNCC não vale para as duas escolas, ela foi pensada para que os filhos dos trabalhadores recebam uma educação ainda menor em comparação à ofertada nas privadas, pois isso, além de baixar os salários dos professores (que agora concorrerão a um número menor de postos de trabalho) mantém a desigualdade social desde a distribuição do próprio conhecimento.

Esse currículo desenha claramente na nossa frente a luta de classes: aos ricos o conhecimento na sua forma mais plena; aos pobres um currículo pequeno e irrelevante para a vida. Aos ricos a dominação, aos dominados a pobreza.

O Sismmar vem, desde o início do ano, ofertando formação aos professores sobre os fundamentos da Pedagogia Histórico Crítica. Esse movimento é de resistência em defesa da Escola Pública de Qualidade, para que possamos compreender as intenções não aparentes da BNCC.

Coluna do Sismmar publicada na edição 1124 do jornal O Popular, em 02/08/18