Araucária, 25 de dezembro de 2011

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30 de agosto é dia de luta e resistência da educação pública

Há 30 anos, na praça Nossa Senhora da Salete, em Curitiba, professores que lutavam pelo mínimo de direito, que é o salário e condições de trabalho, foram brutalmente atacados pela polícia a mando do então governador, Álvaro Dias

Ao longo desses 30 anos, a história se repetiu. Recentemente, em 2015, o governador Beto Richa atacou brutalmente professores por meio da força, de bombas, balas, spray de pimenta. Ano passado, em 2017, foi a vez do prefeito de Curitiba, Rafael Greca, mostrar sua truculência e avançar sobre aqueles que formam as pessoas que serão responsáveis pelo futuro. Professores. Desarmados.

A mídia, que costuma fazer o papel do feitor, logo se apropriou dos fatos e correu a contar a sua versão.

A violência não é apenas física. Ela também é moral, emocional.

 Os professores do Estado estão sem reajuste pelo terceiro ano. Tiveram sua carga horária semanal em sala de aula aumentada. Foram punidos por necessitarem de licença médica. As condições de trabalho são extremamente precárias – e isso tudo não se resume ao Estado, professores municipais também sofrem diariamente com situações como essas.

A violência também é ideológica, visto que somos punidos por tentar trazer nossos alunos à consciência crítica. Se depender dos governantes, não poderemos mais ensinar a eles questões como essa, por exemplo, que foi narrada aqui. O projeto Escola sem Partido é um dos pontos de partida para nos calar de vez.

Porém, resistimos. Todos os dias, a cada minuto, cada aula é uma prova de resistência. Cada novo professor que se forma é um ato de resistência.

Resistimos a todas as dificuldades que encontramos, buscamos transpor obstáculos e lutamos, não apenas pelos nossos direitos, mas por uma educação real. Uma educação de real qualidade pressupõe a liberdade de expressão, os investimentos em materiais e estrutura das escolas (muitas estão aos pedaços), o incentivo à formação dos professores, dando condições para que possam estudar e se aprimorar. O fim das punições aos professores que precisam de tratamento de saúde, o respeito ao terço de hora atividade. E, claro, salários dignos para que possamos viver.

Não podemos deixar que o tempo apague as marcas e a história de quem luta. Não podemos nos curvar à imposição de sucateamento da educação proposta pelo governo federal e alinhada com os Estados e Municípios.

O dia 30 de agosto é um dia de memória, mas também um dia de resistência. Para fortalecer essa luta, apoie o movimento dos professores.

A luta muda a vida!

“Podem me prender, podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
Porque da luta eu não saio não”